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sexta-feira, 23 de abril de 2010

The Sonics - 1966 - Boom

O segundo álbum da banda norte-americana de rock and roll com toques psicodélicos. Este é ainda mais explosivo que o anterior e traz uma versão incendiária de "Louie, Louie", do Kingsmen, grupo de servia de inspiração para os caras juntamente com os ingleses do The Kinks. Para quem gosta de raridades dos anos 60, eis aí uma pérola.

Tracklist:
1. Cinderella (Anka, G. Roslie) - 2:44
2. Don't be afreid of the dark (G. Roslie, Walker) - 2:22
3. Skinny Minnie (Cafra, Gabler, Haley, Keefer) - 2:11
4. Let the good times roll (Goodman, Lee, Moore, Theard) - 2:00
5. Don't you just know it (Smith, Vincent) - 2:49
6. Jenny, Jenny (Johnson, Little Richard) - 2:19
7. He's Waitin' (G. Roslie, Sonics) - 2:32
8. Louie, Louie (Berry) - 3:00
9. Since I feel for you (Johnson) - 3:59
10. Hitch Hike (Gaye, Paul, Stevenson) - 2:45
11. It's alright (Andrews) - 2:10
12. Shot down (Andrews, Sonics) - 2:08
13. The Hustle (G. Roslie, Sonics) - 2:12
14. The Witch (Alternate Take) (G. Roslie, Sonics) - 2:39
15. Psycho (live) (Payne, Roslie, Sonics) - 1:53
16. The Witch (live) (Roslie, Sonics) - 2:50

quinta-feira, 15 de abril de 2010

40 anos sem os Beatles


» MEMÓRIA

No dia 10 de abril era oficializado pelos jornais o fim de uma das bandas de maior sucesso no mundo

José Teles
teles@jc.com.br


No dia 9 de abril de 1970, Paul McCartney telefonou para John Lennon: “Estou ligando porque acho que você deve ser o primeiro a saber. Estou fazendo o mesmo que você. Estou saindo dos Beatles. “Legal, ótimo, ótimo”, disse Lennon, e desligou. No mesmo dia, Paul McCartney, que estava lançando McCartney, seu primeiro disco solo, distribuiu com os principais jornais londrinos, uma entrevista em que ele era entrevistado e entrevistador. Duas perguntas anunciavam que não era mais um Beatle: Pergunta: Você está planejando um disco ou um compacto novos com os Beatles? Resposta: Não. Pergunta: Este álbum é uma folga dos Beatles ou o começo de uma carreira solo? Resposta: O tempo vai dizer. Mas sendo um álbum solo significa que ele é o começo de uma carreira solo...e não sendo feito com os Beatles responde o resto.

No dia seguinte, o fim dos Beatles era oficializado pelos jornais do mundo inteiro. Mas foi uma morte anunciada. O grupo começou a acabar em 1968. No álbum The Beatles, ou o Álbum branco, John Lennon comentaria em uma entrevista ao jornal (hoje revistão) Rolling Stone: “Era eu, acompanhado pela banda, era Paul, acompanhado pela banda, era George acompanhado pela banda, Ringo acompanhado pela banda”. Era cada um na sua, desde que cada um passou a ter sua própria vida, e isto começou a acontecer quando o grupo deixou de excursionar em 1966. Turnês, shows, ensaios, é o que une um grupo, aponta o jornalista John Blake, autor de All you need was love The Beatles after The Beatles.

Paul McCartney sabia disto, que precisava colocar os Beatles novamente na estrada. McCartney conseguiu reunir Ringo, John e George para tentar convencê-los. Cogitaram-se várias locações para um show que seria transmitido por TV para centenas de países. A idéia não foi para a frente, e daí surgiu o projeto Get back. Em 2 de janeiro de 1969, eles se reuniram num estúdio em Twickenham. O projeto idealizado por Paul consistia num filme mostrando os Beatles na intimidade, ensaiando e gravando, um livro e, obviamente, um disco. Mas o que se vê no documentário é uma queda de braço sem fim, de George e John contra Paul. Há uma cena, por exemplo, em que Lennon começa a tocar na guitarra os acordes iniciais de Across the universe. Paul retalia, boceja, e toca um boogie no piano.

Uma das cenas mais constrangedoras, roupa suja lavada em público, é quando Paul McCartney critica a forma como George Harrison está tocando guitarra. George perde a calma, vai embora do estúdio, antes avisa a Paul para ele procurar um novo guitarrista, estava fora. McCartney partiu para as desculpas, até convencer, no dia seguinte, George a voltar. O estúdio alugado era imenso, eles decidiram continuar Get back no estúdio instalado no porão da Apple. Só que encontraram sem funcionar o caríssimo equipamento que foi adquirido por Alex Mardas, ou Magic Alex, um dos muitos picaretas que quase levam os Beatles à falência, em projetos fantasiosos ou malucos. George Martin veio em auxílio deles. Como se pode ver no documentário Let it be, e nas centenas de bootlegs (discos não oficiais com gravações dessas sessões), eles ainda não se aguentam, mas se tornam espontâneos, quando tocam a música que os levou a se tornarem amigos, e a formar uma banda: o rock and roll de Chuck Berry, Larry Williams, Little Richard, até improvisam, numa canção intitulada Common wealth, onde, como uma dupla de repentista, Paul cria ad lib uma estrofe e John responde com outra. Apesar dos desencontros, o quarteto conseguiu deixar 29 horas de música gravada. Mas o clima em que elas foram registradas foi de tamanho baixo astral, que as fitas foram para os arquivos da Apple.

Quando começaram a Apple, com várias ramificações que ia de uma gravadora a uma butique no centro da swingin London, os Beatles dispunham de vários milhões de libras para investir. Quando o negócio faliu, ficando apenas a gravadora, que dava lucros. John Lennon viu-se com apenas, para ele, 50 mil libras na conta. O problema financeiro acabaria sendo o golpe mortal no Fab Four. O pai da mulher de McCartney, Linda Eastman, era um dos mais bem-sucedidos advogados de direitos autorais dos EUA. O genro foi a Nova Iorque em busca de auxílio, o queria gerindo as finanças dos Beatles. Ele indicou o filho David para a empreitada. Os outros três já haviam escolhido outro, o mal afamado, mas competente, Allen Klein, que aprumara as finanças dos Rolling Stones. Paul teve que aceitar, a contragosto.

No meio deste caos, eles decidiram voltar ao estúdio da EMI, para gravar um disco. Seria o derradeiro (embora Let it be tenha sido lançado depois dele). Do início até o fim das gravações a novela teve vários capítulos. Num deles John Lennon volta a tocar ao vivo em Toronto, com uma banda formada por Eric Clapton, Klaus Voorman e Alan White. Na volta, Paul McCartney voltou a insistir para que os Beatles tocassem em público novamente. Lennon conta que o escutou sem dizer nada, e depois disparou à queima-roupa: “Acho que você é um babaca. Estou deixando os Beatles. Quero o divórcio”. No entanto, ele nunca oficializou publicamente sua saída do grupo. Aconselhado por Allen Klein, continuou gravando o que seria Abbey Road.

McCartney venceu pertinho do fim do filme. Um show fecharia o projeto Get Back, finalmente retomado. Para sua surpresa, os outros Beatles concordaram, mas não em um teatro como pretendia Paul. Tocaram no que acabou sendo conhecido como Roof top concert, em cima do prédio da Apple, na Saville Row, cercado por prédios comerciais. Apesar do frio de quase zero graus, que fazia naquela tarde, o vento cortante, os Beatles, mais Billy Preston no órgão, fizeram uma grande apresentação, para uma platéia de empregados dos escritórios dos prédios vizinhos, e de transeuntes que passavam pela Saville Row. Como no tempo em que faziam turnês, o concerto foi curto, apenas 41 minutos, com um repertório de meia dúzia de canções. Chamada por pessoas a quem o barulho impedia de trabalhar, a polícia interrompeu a derradeira apresentação dos Beatles.


Discografia

Please please me (Parlophone, 1963)

With the Beatles (Parlophone, 1963)

A hard day’s night (Parlophone, 1964)

Beatles for sale (Parlophone, 1964)

Help! (Parlophone, 1965)

Rubber soul (Parlophone, 1965)

Revolver (Parlophone, 1966)

A collection of oldies...but goldies (1966)

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Parlophone, 1967)

Magical mystery tour (Capitol, 1967)

The Beatles (O álbum branco) (Apple, 1968)

Yellow submarine (Apple, 1969)

Abbey Road (Apple, 1969)

Let it be (Apple, 1970)

The Beatles/1962-1966 (1973)

The Beatles/1967-1970 (1973)

The Beatles live! at the Star Club In Hamburg, Germany (1977)

The Beatles at the Hollywood Bowl (1977)

Love songs(1977)

The Beatles rarities (1979)

The Beatles ballads (1980)

The Beatles: live at BBC (1994)

The Beatles anthology 1 (1995)

The Beatles anthology 2 (1996)

The Beatles anthology 3 (1996)

1 (2000)

Let it be...naked (2003)

Love (2006)


Publicado em 10.04.2010 no Jornal do Commercio.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Som e fúria na trajetória do rock

Cartunista francês Hervé Bourhis lança a história do rock em quadrinhos, com selo da editora Conrad

Raquel Cozer // Agência Estado


São Paulo - A história do rock não é feita só de acordes, mas também de pianos que pegam fogo, morcegos que perdem a cabeça e músicos que se tornam inomináveis, tudo isso no sentido literal.

Bourhis inclui até a bossa nova em sua pesquisa. Foto: neuviene-art.com/reproducao da internet
Outros biógrafos poderiam se limitar à produção artística, mas é o amálgama dessa trajetória de som e fúria o que cartunista francês Hervé Bourhis, de 35 anos, tenta retratar em O pequeno livro do rock, lançado agora pela Conrad.

Vencedor do prêmio Goscinny em 2002 (por Thomas ou le Retour du Tabou, inédito no Brasil), Bourhis resumiu em 224 páginas um material que vinha recolhendo desde os 14 anos, entre álbuns, recortes de jornais e toneladas de livros. Juntou a adoração pela música com sua outra grande paixão dentro da cultura pop, os quadrinhos - a primeira HQ ele escreveu aos 7 anos - neste livro que saiu em 2005 e o tornou referência na França.

Aos admiradores do gênero vale avisar que não se deve esperar do resultado nenhum criterioso olhar enciclopédico e que é bom tentar uma leitura desapaixonada para não achar que sua banda favorita foi desprestigiada. "O projeto é deliberadamente subjetivo. Não acho que o rock deva ser objeto de um estudo acadêmico", diz o cartunista.

Uma resposta a isso Bourhis sentiu na pele numa noite de autógrafos, quando um indignado fã do Gênesis lhe atirou o livro na cabeça (sobre a banda, em 1975, Bourhis escreve: "Peter Gabriel, vocalista do Gênesis, acaba de deixar o grupo, sem dúvida cansado de se disfarçar no palco de raposa, flor, pulgão ou espinha purulenta").

Mas, defende o autor, mesmo cantores ou grupos dos quais ele gosta não tiveram tratamento muito melhor. A banda inglesa The Ruts e o cantor Donovan, por exemplo, ficaram de fora. "O que importa é o papel que se teve. Uma banda obscura, que só faça música boa, é menos relevante que protagonistas de fatos insólitos." Jerry Lee Lewis, Ozzy Osbourne e Prince, os três artistas lembrados na primeira frase deste texto, estão aí para provar.

A música produzida em terras brasilis surge em três momentos,um deles inesperado para a saga de guitarras e baterias: o lançamento de Chega de saudade, em 1958. Como bom francês, Bourhis adora João Gilberto, Tom e Vinicius, mas arrisca argumento mais científico. "É claro que, musicalmente, a bossa é o antirrock, mas é também um movimento que acompanha todos os outros de ruptura do pós-Guerra, o rock, o free jazz, o soul." Os outros dois minutos tupiniquins de fama ficam com Os Mutantes e o Cansei de Ser Sexy - neste último caso, porque um único bom single, opina o autor referindo-se a Let's make love and listen to death from above, pode bastar para gravar uma banda na história.

Publicado no Diario de Pernambuco em 11/04/10.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Morre Malcolm McLaren

Da redação

Empresário britânico conhecido por lançar os Sex Pistols tinha 64 anos e sofria de câncer

Foto: AP
Malcolm McLaren em 1978, meses depois do fim dos Sex Pistols:  aqui, ele aparece deixando um tribunal, em Manhattan, quando Sid Vicious  foi acusado de matar a namorada, Nancy Spungen
Malcolm McLaren em 1978, meses depois do fim dos Sex Pistols: aqui, ele aparece deixando um tribunal, em Manhattan, quando Sid Vicious foi acusado de matar a namorada, Nancy Spungen
Foi anunciada nesta quinta, 8, a morte de Malcolm McLaren, o "empresário do punk". McLaren, que tornou-se conhecido ao redor do globo por ter atuado como uma espécie de mentor dos Sex Pistols, faleceu aos 64 anos, vítima de câncer.

O artista britânico havia sido diagnosticado com um tipo de câncer raro há algum tempo, mas seu estado de saúde piorou nas últimas semanas, informou Les Molloy, porta-voz do artista, em entrevista ao jornal The Independent. Ele morreu em Nova York, mas seu corpo será levado a Londres, sua cidade natal. O enterro deve acontecer nesta sexta, 9, no cemitério Highgate.

Ligado à moda, McLaren foi casado com a estilista Vivienne Westwood na década de 70. Ao lado dela, abriu a loja Let It Rock, um reduto da moda punk (ela viria a se chamar, posteriormente, SEX; hoje, pertence a Vivienne - leia entrevista com ela aqui -, com o nome de World's End). Foi com as roupas criadas pela esposa que ele vestiu os Sex Pistols, sendo posteriormente criticado por ter "fabricado", ideológica e visualmente, a banda.

Antes de chocar a Inglaterra e os Estados Unidos com a aparência furiosa de Johnny Rotten, Sid Vicious e Cia., McLaren foi empresário do New York Dolls. Posteriormente, na década de 80, investiu na própria carreira como músico - mas como representante do hip hop. Seu disco de estreia, Duck Rock, teve como destaque a faixa "Buffalo Gals".

McLaren deixa o filho Joseph Corré, nascido em 1967, fruto de sua relação com Vivienne.


Matéria publicada na RollingStone.com.br, em 08/04/2010.

Acesse aqui para ver um vídeo "Buffalo Gals".