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quinta-feira, 15 de abril de 2010

40 anos sem os Beatles


» MEMÓRIA

No dia 10 de abril era oficializado pelos jornais o fim de uma das bandas de maior sucesso no mundo

José Teles
teles@jc.com.br


No dia 9 de abril de 1970, Paul McCartney telefonou para John Lennon: “Estou ligando porque acho que você deve ser o primeiro a saber. Estou fazendo o mesmo que você. Estou saindo dos Beatles. “Legal, ótimo, ótimo”, disse Lennon, e desligou. No mesmo dia, Paul McCartney, que estava lançando McCartney, seu primeiro disco solo, distribuiu com os principais jornais londrinos, uma entrevista em que ele era entrevistado e entrevistador. Duas perguntas anunciavam que não era mais um Beatle: Pergunta: Você está planejando um disco ou um compacto novos com os Beatles? Resposta: Não. Pergunta: Este álbum é uma folga dos Beatles ou o começo de uma carreira solo? Resposta: O tempo vai dizer. Mas sendo um álbum solo significa que ele é o começo de uma carreira solo...e não sendo feito com os Beatles responde o resto.

No dia seguinte, o fim dos Beatles era oficializado pelos jornais do mundo inteiro. Mas foi uma morte anunciada. O grupo começou a acabar em 1968. No álbum The Beatles, ou o Álbum branco, John Lennon comentaria em uma entrevista ao jornal (hoje revistão) Rolling Stone: “Era eu, acompanhado pela banda, era Paul, acompanhado pela banda, era George acompanhado pela banda, Ringo acompanhado pela banda”. Era cada um na sua, desde que cada um passou a ter sua própria vida, e isto começou a acontecer quando o grupo deixou de excursionar em 1966. Turnês, shows, ensaios, é o que une um grupo, aponta o jornalista John Blake, autor de All you need was love The Beatles after The Beatles.

Paul McCartney sabia disto, que precisava colocar os Beatles novamente na estrada. McCartney conseguiu reunir Ringo, John e George para tentar convencê-los. Cogitaram-se várias locações para um show que seria transmitido por TV para centenas de países. A idéia não foi para a frente, e daí surgiu o projeto Get back. Em 2 de janeiro de 1969, eles se reuniram num estúdio em Twickenham. O projeto idealizado por Paul consistia num filme mostrando os Beatles na intimidade, ensaiando e gravando, um livro e, obviamente, um disco. Mas o que se vê no documentário é uma queda de braço sem fim, de George e John contra Paul. Há uma cena, por exemplo, em que Lennon começa a tocar na guitarra os acordes iniciais de Across the universe. Paul retalia, boceja, e toca um boogie no piano.

Uma das cenas mais constrangedoras, roupa suja lavada em público, é quando Paul McCartney critica a forma como George Harrison está tocando guitarra. George perde a calma, vai embora do estúdio, antes avisa a Paul para ele procurar um novo guitarrista, estava fora. McCartney partiu para as desculpas, até convencer, no dia seguinte, George a voltar. O estúdio alugado era imenso, eles decidiram continuar Get back no estúdio instalado no porão da Apple. Só que encontraram sem funcionar o caríssimo equipamento que foi adquirido por Alex Mardas, ou Magic Alex, um dos muitos picaretas que quase levam os Beatles à falência, em projetos fantasiosos ou malucos. George Martin veio em auxílio deles. Como se pode ver no documentário Let it be, e nas centenas de bootlegs (discos não oficiais com gravações dessas sessões), eles ainda não se aguentam, mas se tornam espontâneos, quando tocam a música que os levou a se tornarem amigos, e a formar uma banda: o rock and roll de Chuck Berry, Larry Williams, Little Richard, até improvisam, numa canção intitulada Common wealth, onde, como uma dupla de repentista, Paul cria ad lib uma estrofe e John responde com outra. Apesar dos desencontros, o quarteto conseguiu deixar 29 horas de música gravada. Mas o clima em que elas foram registradas foi de tamanho baixo astral, que as fitas foram para os arquivos da Apple.

Quando começaram a Apple, com várias ramificações que ia de uma gravadora a uma butique no centro da swingin London, os Beatles dispunham de vários milhões de libras para investir. Quando o negócio faliu, ficando apenas a gravadora, que dava lucros. John Lennon viu-se com apenas, para ele, 50 mil libras na conta. O problema financeiro acabaria sendo o golpe mortal no Fab Four. O pai da mulher de McCartney, Linda Eastman, era um dos mais bem-sucedidos advogados de direitos autorais dos EUA. O genro foi a Nova Iorque em busca de auxílio, o queria gerindo as finanças dos Beatles. Ele indicou o filho David para a empreitada. Os outros três já haviam escolhido outro, o mal afamado, mas competente, Allen Klein, que aprumara as finanças dos Rolling Stones. Paul teve que aceitar, a contragosto.

No meio deste caos, eles decidiram voltar ao estúdio da EMI, para gravar um disco. Seria o derradeiro (embora Let it be tenha sido lançado depois dele). Do início até o fim das gravações a novela teve vários capítulos. Num deles John Lennon volta a tocar ao vivo em Toronto, com uma banda formada por Eric Clapton, Klaus Voorman e Alan White. Na volta, Paul McCartney voltou a insistir para que os Beatles tocassem em público novamente. Lennon conta que o escutou sem dizer nada, e depois disparou à queima-roupa: “Acho que você é um babaca. Estou deixando os Beatles. Quero o divórcio”. No entanto, ele nunca oficializou publicamente sua saída do grupo. Aconselhado por Allen Klein, continuou gravando o que seria Abbey Road.

McCartney venceu pertinho do fim do filme. Um show fecharia o projeto Get Back, finalmente retomado. Para sua surpresa, os outros Beatles concordaram, mas não em um teatro como pretendia Paul. Tocaram no que acabou sendo conhecido como Roof top concert, em cima do prédio da Apple, na Saville Row, cercado por prédios comerciais. Apesar do frio de quase zero graus, que fazia naquela tarde, o vento cortante, os Beatles, mais Billy Preston no órgão, fizeram uma grande apresentação, para uma platéia de empregados dos escritórios dos prédios vizinhos, e de transeuntes que passavam pela Saville Row. Como no tempo em que faziam turnês, o concerto foi curto, apenas 41 minutos, com um repertório de meia dúzia de canções. Chamada por pessoas a quem o barulho impedia de trabalhar, a polícia interrompeu a derradeira apresentação dos Beatles.


Discografia

Please please me (Parlophone, 1963)

With the Beatles (Parlophone, 1963)

A hard day’s night (Parlophone, 1964)

Beatles for sale (Parlophone, 1964)

Help! (Parlophone, 1965)

Rubber soul (Parlophone, 1965)

Revolver (Parlophone, 1966)

A collection of oldies...but goldies (1966)

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Parlophone, 1967)

Magical mystery tour (Capitol, 1967)

The Beatles (O álbum branco) (Apple, 1968)

Yellow submarine (Apple, 1969)

Abbey Road (Apple, 1969)

Let it be (Apple, 1970)

The Beatles/1962-1966 (1973)

The Beatles/1967-1970 (1973)

The Beatles live! at the Star Club In Hamburg, Germany (1977)

The Beatles at the Hollywood Bowl (1977)

Love songs(1977)

The Beatles rarities (1979)

The Beatles ballads (1980)

The Beatles: live at BBC (1994)

The Beatles anthology 1 (1995)

The Beatles anthology 2 (1996)

The Beatles anthology 3 (1996)

1 (2000)

Let it be...naked (2003)

Love (2006)


Publicado em 10.04.2010 no Jornal do Commercio.

2 comentários:

  1. Parabéns pelo blog. Muito bem realizado e interessante. As informações postadas revelam pesquisa e tem credibilidade. Não é de surpreender as recomendações e prêmios recebidos. Espero que continue neste grande esforço pela divulgação da memória musical e conhecimento da psicodelia.
    Abraços
    Rodrigo de Almeida

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  2. Ola, acabei de conhecer o blog. Muito bom, de ótima qualidade e de puro bom gosto. Realmente as bandas que vc dispõe aqui são excelentes e a maioria, infelizmente, pouco conhecidas ou divulgadas. Tb estou com um blog que segue no mesmo estilo que é voltado ao rock, blues, folk dos anos 60 e 70. Se puder da uma visitada e quem sabe podemos trocar figurinhas..rs.
    o blog é....
    somtrimado.blogspot.com
    Muito sucesso e não desista do teu trabalho.
    abraços

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