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quinta-feira, 18 de junho de 2009

'Loki' expõe a genialidade do criador dos Mutantes sem fazer julgamentos

Documentário sobre Arnaldo Baptista estreia neste fim de semana. Gravadora americana vai lançar disco de inéditas da banda em setembro.

Lígia Nogueira Do G1, em São Paulo

Gênio precoce. Drogado. Louco. A trajetória de Arnaldo Baptista, um dos artistas mais criativos que a música brasileira já teve, não raro vem acompanhada de adjetivos extremos. Na tela do cinema, a história de sua vida ganha as cores fortes dos quadros que ele pinta, isolado em um sítio em Minas Gerais, onde vive hoje na companhia de sua terceira mulher.

Depois de ser exibido na programação da 32ª Mostra de Cinema de São Paulo, em 2008, o documentário “Loki” estreia neste fim de semana no circuito. O filme dirigido por Paulo Henrique Fontenelle mostra como o multi-instrumentista e compositor criou os Mutantes antes mesmo de atingir a maioridade e se tornou um revolucionário na companhia do irmão Sérgio Dias e da cantora Rita Lee, com quem foi casado durante um curto período.

Ídolo da juventude em plena ditadura militar, o trio temperou a cultura nacional com seu humor e irreverência regados a drogas e muito rock ‘n’ roll. E é ao som de suas guitarras psicodélicas que a trama vai costurando imagens históricas, depoimentos de músicos, produtores, familiares e amigos, enquanto o próprio retratado pinta um quadro – atividade que vem exercendo desde que se mudou de São Paulo nos anos 80.

Da época em que formou o grupo The Thunders com os amigos de colégio – que daria origem aos Mutantes ao se misturar com as Teenage Singers, do qual Rita Lee fazia parte – até o retorno da banda 33 anos depois, em um show em homenagem à tropicália em Londres, com Zélia Duncan nos vocais, o filme passa a limpo a trajetória de Arnaldo Baptista e mostra sua importância definitiva às novas gerações.

Foto: Divulgação
Arnaldo Baptista, criador dos Mutantes. (Foto: Divulgação)

Se no palco os Mutantes ficaram conhecidos como a banda de apoio de Gilberto Gil na canção “Domingo no parque” - sucesso nos festivais no final dos anos 60 -, nos bastidores a banda ficou enfraquecida por entorpecentes e relacionamentos conturbados. Com a saída de Rita Lee e o consequente fim do grupo, Arnaldo Baptista caiu em depressão e foi internado diversas vezes.

“A gente entrou num labirinto sem uma cordinha para amarrar atrás”, resume Sérgio Dias, em um dos diversos depoimentos reunidos em “Loki”.

Assim como acontece em “Simonal – Ninguém sabe o duro que dei”, de Claudio Manoel, o mérito do documentário é justamente não se prender a tentativas de julgamento moral. Ambos os filmes expõem, acima de tudo, a relevância histórica de seus biografados. E, de quebra, o expectador ainda ganha uma trilha sonora de arrebentar.

Gravadora americana lança álbum de inéditas dos Mutantes

A gravadora America Anti Records – que reúne em seu catálogo discos de Tom Waits e Nick Cave, entre outros artistas – anunciou o lançamento do novo álbum de inéditas dos Mutantes em mais de 30 anos. Segundo o selo, o disco intitulado “Haih” chega às lojas no dia 8 de setembro.

Além do guitarrista Sérgio Dias, a nova formação do grupo reúne Bia Mendes e Fábio Recco (vocais), Dinho Leme (bateria), Simone Sou (percussão), Henrique Peters (teclados, flauta doce e vocais), Vitor Trida (teclados, flautas, viola, cello e vocal) e Vinícius Junqueira (baixo).

Repetindo o feito de 1968, quando deu aos Mutantes a canção "Minha menina", Jorge Ben Jor compôs especialmente para a nova fase da banda paulistana a faixa inédita "O careca". O disco tem ainda sete parcerias de Sérgio Dias com Tom Zé, entre elas "Samba do Fidel", "Anagrama" e "Dois mil e agarrum", que contou com participação de Mike Patton, do Faith No More.


* Publicado no site do G1, em 17/06/09.


Em tempo: o blog Brazilian Nuggets postou um link para este álbum do Arnaldo.

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