Pesquise neste blog / Search in this blog

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

40 anos, mais ainda jovem


Disco revolucionário na época em que foi lançado pela banda Beach Boys, Pet sounds passou pela prova dos anos

JOSÉ TELES

Um teste básico para se avaliar uma obra de arte é sua resistência ao tempo. Por esta avaliação, o disco Pet sounds, dos Beach Boys, lançado há 40 anos, passou no teste. Como aconteceu a outras obras de arte, o tempo até lhe fez mais justiça. Quando chegou às lojas em 1966, Pet sounds foi recebido com estranheza pelos fãs, acostumados com as canções do grupo, que tinham como temática um eterno e metafórico verão californiano, com muito sol, carrões, ondas, e garotas. O repertório de Pet sounds girava em torno de questões existenciais, com arranjos sofisticados, não apenas para a época, como para a música pop em geral.
A idéia de fazer um disco revolucionário surgiu quando Brian Wilson (produtor e mentor intelectual da empreitada) escutou o álbum Rubber soul dos Beatles, saído em 1965: “Foi, definitivamente, um desafio para mim. Saquei que cada faixa era artisticamente interessante e estimulante. Imediatamente comecei a trabalhar nas canções de Pet sounds”, escreveu ele no encarte do primeiro lançamento de sua obra-prima em CD. Para melhor concebê-la, Brian Wilson antes de mais nada, produziu o disco de hits que a Capitol exigia da banda, The Beach Boys party, gravado às pressas, como se o grupo tivesse tocando numa festa.
Em seguida, parou de excursionar, convidou o amigo Tony Asher para escrever as letras e enfurnou-se no estúdio o dia inteiro: “Fiz de cada base instrumental uma experiência sonora particular. Fiquei obcecado para explicar musicalmente como eu me sentia interiormente”, explicou Wilson no citado texto.
Bases prontas, passou a mostrar as canções aos integrantes do grupo (seus dois irmãos Denny e Carl, o primo Mike Love e Al Jardine). Ele supervisionou pessoalmente cada detalhe da gravação, faixa por faixa, como um pintor construindo uma tela, camada por camada. As bases gravadas em três ou quatro canais, depois mixadas numa máquina de oito canais (um espanto, tantos canais em 1966). Nas 13 faixas do disco foram empregados tanto recursos tecnológicos quanto a criatividade pura e simples. Wouldn’t it be nice, a faixa de abertura, tem Dennis Wilson cantando com as mãos em concha, na seguinte, You still believe in me, para se conseguir o som diferente do piano na introdução alguém ficava por baixo do instrumento puxando as cordas com os dedos, enquanto Brian Wilson tocava no teclado. Foram usados todos os instrumentos disponíveis no estúdio, de um teremim (pela primeira vez empregado na música pop), em I just wasn’t made for these times, a acordeão, em God only knows.
O teremim (um anos depois usado pelos Mutantes) seria aplicado intensivamente em Good vibrations, a mais demorada faixa gravada nas sessões de Pet sounds, que levou seis meses para ser finalizada, embora não tenha entrado no disco. Good vibrations saiu num compacto e foi mais bem-sucedida do que qualquer outra de Pet sounds, que, nos EUA, só chegou a um décimo lugar no paradão da Billboard. Na Inglaterra o disco teve melhor sorte, chegou a um segundo lugar nas paradas, tornou os Beach Boys estrelas em pleno apogeu do pop britânico dos anos 60, e levou Paul McCartney a confessar que considerava God only knows a mais bela canção pop já composta.
Este disco mudou totalmente o conceito das paradas de sucesso, programações de FMs e a cabeça dos poucos que o entenderam. McCartney foi um desses. Espelhando-se no Pet sounds que ele concebeu o Sgt. Pepper’s lonely heart club band, tido como o mais perfeito álbum pop de todos os tempos. Brian Wilson, então com 23 anos, novamente tentou suplantar os Beatles, produzindo um disco ainda mais complexo do que Pet Sounds, que seria intitulado Smile. No processo, ele se perdeu num emaranhado de sons e drogas. Smile somente seria lançado oficialmente em 2004, 27 anos depois de iniciado. Pet sounds, quatro décadas depois não perdeu o frescor, a beleza, uma egotrip que se revelou um dos raros trabalhos de “auteur” duradouro do pop dos anos 60.

Um ano seminal para a música pop
Pet sounds não foi o único marco pop de 1966, um ano crucial para as mudanças que fizeram dos sixties uma década revolucionáriaO badalado 1968 pode ser considerado o final de um período iniciado em 1966 e que teve seu auge em 1967, com o chamado Summer of love. A partir de Pet sounds, mudou o conceito de música pop como simples entretenimento, narrando situações amorosas fantasiosas ou lúdicas. Agora, os artistas expressavam seus próprios sentimentos ou de sua geração. E a nova geração era a da frase cunhada por Timothy Leary: “Turn on, tune in e drop out” (grosso modo, “Ligue-se, antene-se e salte fora”). Uma geração que necessitava de outra trilha sonora. Antenados, os músicos criaram esta trilha, com uma série de álbuns seminais, lançados em 1966. Os Beatles voltaram à carga com o que é considerado por muita gente seu disco mais bem-resolvido, Revolver. Bob Dylan deixara para trás o banquinho e o violão e plugara-se desde 1965, mas foi em 1966 que sedimentou seu som com o viajado álbum duplo, Blonde on blonde. Frank Zappa com Freak out implantou a anarquia no rock and roll. Com Aftermath, os Rolling Stones deixavam de copiar os mestres de blues e rhythm and blues. Este foi o primeiro disco autoral de Mick Jagger & Keith Richards, que assinam todas as 14 canções do álbum. O Cream estreou com Fresh cream, uma inovadora mistura de rock pesado, jazz e pop, que a crítica de então malhou como demasiado indulgente, mas que disseminou dezenas de bandas assemelhadas nos EUA e Inglaterra, e é a base do que seria batizado de heavy metal.
Em Nova Iorque e na Califórnia houve recriações da música folk, que recebeu uma boa dose de intelectualismo e psicodelismo, com a dupla Simon & Garfunkel e The Mamas and the Papas. Em janeiro de 1966, foi lançado o álbum Sounds of silence, de Paul Simon e Art Garfunkel. Sounds of silence virou folk rock, graças ao tratamento dado pelo produtor Tom Wilson. Gravada na Inglaterra um ano antes, mais lenta e com acompanhamento acústico, a canção de Paul Simon teve o andamento acelerado com a bela melodia revestida de guitarras elétricas, tornando-a um clássico instantâneo. Em Nova Iorque, batalhando no circuito folk, John Phillips, um músico da Califórnia, entrou numa igreja com a mulher Michelle para se livrar do pesado frio que fazia no final de 1965. Veio dali a inspiração para compor California dreaming, um dos maiores hits de 1966.
O grupo The Mama and the Papas foi o veículo para John Phillips pintar em cores vivas a era hippie, em canções como Monday monday ou Creek alley. Phillips foi figura-chave entre os hippies da Califórnia e o principal produtor do festival Monterey Pop, realizado no ano seguinte, que revelou Jimi Hendrix, Janis Joplin e fez a fama do The Who. Vale ressaltar que o Sgt Pepper’s começou a ser gravado em 1966 e Jimi Hendrix começou a viajar além dos limites tradicionais da guitarra no mesmo ano.

Publicado em 24.09.2006 no Jornal do Commercio

Download

terça-feira, 19 de setembro de 2006

The 13th Floor Elevators - 1966 - The Psychedelic Sounds of


E com vocês... O primeiro álbum da história do rock a trazer a palavra "psicodélico" no título!!! De quebra, todo o brilhantismo e loucura do líder Roky Erickson em músicas memoráveis, como "You're gonna miss me", o primeiro clássico do punk rock. Entre os bônus, "Gloria", que como bem lembrou o Maurício é de Van Morrison (Them), que depois também ganhou uma versão dos Doors. Clássico dos clássicos!

Tracklisting:
1. You're Gonna Miss Me
2. Roller Coaster
3. Splash 1
4. Reverberation
5. Don't Fall Down
6. Fire Engine
7. Thru The Rhythm
8. You Don't Know (How Young You Are)
9. Kingdom Of Heaven
10. Monkey Island
11. Tried To Hide

Bonus:
12. Everybody Needs Somebody To Love - (live)
13. You Really Got Me - (live)
14. Gloria - (live)
15. You're Gonna Miss Me - (live)

Formação da banda:
Singer/guitarist: Roky Erickson
Electric jug player: Tommy Hall
Bass guitarist: Benny Thurman
Guitarist: Stacy Sutherland
Drummer: John Ike Walton

Link para o review do disco no All Music:http://www.allmusic.com/cg/amg.dll?p=amg&sql=10:jb60tratkl5x

Download

Em breve também numa das contas do GMail!

The Doors - 1967 - The Doors


Mais um para a seção clássicos...

Eis o debut da banda de Los Angeles, California, The Doors. O álbum foi lançado em janeiro de 1967 e pra mim é o melhor do grupo. Traz grandes composições (literalmente, porque as músicas são enormes mesmo), como "Light My Fire", e a hipnótica "The End". Além das composições próprias, o disco ainda traz a adaptação de Kurt Weill para o poema de Brecht, "Alabama Song" e um cover de Willie Dixon, "Backdoor Man". Muita pauleira!

Tracklisting:
1. Break on through (to the other side) 2:25
2. Soul Kitchen 3:30
3. The Crystal Ship 2:30
4. Twentieth Century Fox 2:30
5. Alabama Song (Whisky Bar) (Kurt Weill/Bertol Brecht) 3:15
6. Light my Fire 6:50
7. Back Door Man (Willie Dixon/C. Burnett) 3:30
8. I Looked at You 2:18
9. End of the Night 2:49
10. Take it as it Comes 2:13
11. The End 11:35

Formação da banda:
John Densmore -- drums
Robby Krieger -- guitar
Ray Manzarek -- organ, piano, bass
Jim Morrison -- vocals

Download

Local do álbum: 1967psycho3@gmail.com

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

The Rolling Stones - 1967 - Their Satanic Majesties Request

Mais um clássico que faltava.
Em fevereiro de 1967, os Rolling Stones iniciaram a gravação do álbum, que devido a problemas legais de seus integrantes (prisões de Mick Jagger, Keith Richards e Brian Jones, todos por problemas com drogas) se estendeu até outubro desse ano.
Apesar de tudo, a banda conseguiu um dos clássicos maiores da psicodelia, em uma mistura criativa de rock, sons indianos e técnicas de estúdio .
Participam do disco: John Paul Jones (futuro Led Zeppelin), que atuou como arranjador, Ronnie Lane (Small Faces, depois The Faces), Steve Marriott (Small Faces, depois Humble Pie), os lendários tecladistas Nicky Hopkins e Ian Stewart, Eddie Dramer, e fazendo vocais de fundo nas faixas 1 e 5, dois amigos dos Stones, John Lennon e Paul McCartney (preciso mesmo dizer de que banda?).
Enfim, psicodelia da boa!

01-Sing This All Together
02-Citadel
03-In Another Land
04-2000 Man
05-Sing This All Together (See What Happens)
06-She's A Rainbow
07-The Lantern
08-Gomper
09-2000 Light Years From Home
10-On With The Show

Mick Jagger - Voz e vocais de fundo, percussão
Keith Richards - Guitarra solo e base, violão, vocais de fundo
Brian Jones - Guitarra base, teclado Mellotron, órgão, piano, metais, mandolin (variação do bandolim português), cítara, flauta, percussão
Bill Wyman - Baixo, percussão, órgão, voz na faixa 3
Charlie Watts - Bateria, percussão

Download

Jimi Hendrix Experienced - 1967 - Are You Experienced? (UK)

Mais um para a seção clássicos...
O álbum de estréia desse poderoso power trio, impecável do início ao fim. Considero essa versão inglesa mais interessante que a americana, principalmente por causa das bonus tracks. A capa também acho mais legal. Aqui desfilam os grandes clássicos da banda, como Red House, Third Stone from the Sun (que entrou na trilha do filme Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci) e a própria faixa-título. Nos bônus temos as baladas Hey Joe e The Wind Cryes Mary.

Tracklisting:
1. Foxy Lady – 3:19
2. Manic Depression – 3:42
3. Red House – 3:42
4. Can You See Me – 2:33
5. Love or Confusion – 3:11
6. I Don't Live Today – 3:55
7. May This Be Love – 3:11
8. Fire – 2:43
9. Third Stone From the Sun – 6:44
10. Remember – 2:48
11. Are You Experienced? – 4:14

Bonustracks:
12. Hey Joe
13. Stone Free
14. Purple Haze
15. 51st Anniversary
16. The Wind Cries Mary
17. Highway Chile

Formação da banda:
Jimi Hendrix – guitar, vocals, piano
Noel Redding – bass, additional vocals
Mitch Mitchell – drums

Download
Capas (artcover/caratulas)
Local do álbum: 1967psycho3@gmail.com

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Pink Floyd - 1967 - The Piper at Gates of Dawn


Andei sentindo falta dos clássicos da psicodelia sessentista no nosso acervo... Talvez por serem mais conhecidos, foram relegados ao segundo plano, cedendo espaço para pérolas raras, mais difíceis de encontrar por aí. Nem Beatles tem aqui, que absurdo! Nem tem Cream, a imagem-símbolo da comunidade! Pois o blog quer consertar essa injustiça e inicia uma série de posts clássicos. O primeiro, como não poderia deixar de ser, é "The Piper at Gates of Dawn", de 1967, a estréia dos ingleses Pink Floyd em LP. Sem comentários! Mas adianto que já estou preparando o envio dos debuts dos Doors e da Jimi Hendrix Experience, ambos de 1967.

Formação da banda (e precisa?!!):
Syd Barrett - vocals, guitar
Roger Waters - vocals, bass
Rick Wright - piano, organ
Nick Mason - drums

Tracklisting:
1. Astronomy Domine
2. Lucifer Sam
3. Matilda Mother
4. Flaming
5. Pow R. Toc H.
6. Take Up Thy Stethoscope And Walk
7. Interstellar Overdrive
8. Gnome, The
9. Chapter 24
10. Scarecrow
11. Bike

Donwload
Capas (artcover/caratulas)
Local do álbum: 1967psycho3@gmail.com

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Donovan - 1969 - Barabajagal

Após ter iniciado o estudo de Meditação Transcedental e ter estado em retiro espiritual na India, Donovan grava o disco "Barabajagal", um de seus últimos grandes sucessos de público e critíca.
A psicodelia tem forte presença no álbum, seja nas belas baladas folk ou nos grandes rocks lisérgicos.
O lendário Jeff Beck Group (na época Jeff Beck, Ron Wood, Nicky Hopkins e Tony Newman) participa das faixas "Barabajagal" e "Trudi" do lançamento original e em várias das faixas bônus do relançamento.
Um disco que se tornou espelho do fim da década de sessenta (vide a incrível viagem sonora em "Atlantis", por exemplo).
Clássico!
Edição com 13 faixas bônus, contendo demos e algumas faixas até então inéditas.

01-Barabajagal (Love Is Hot)
02-Superlungs (My Supergirl)
03-Where Is She?
04-Happiness Runs
05-I Love My Shirt
06-The Love Song
07-To Susan On The West Coast Waiting
08-Atlantis
09-Trudi
10-Pamela Jo
11-Stromberg Twins (Bônus)
12-Snakeskin (Bônus)
13-Lauretta's Cousin Laurinda (Bônus)
14-The Swan (Lord Of The Reedy River) (Bônus)
15-A Poor Man's Sunshine (Nativity) (Bônus)
16-New Year's Resolution (Donovan's Celtic Jam) (Bônus)
17-Runaway (Demo) (Bônus)
18-Sweet Beverley (Demo) (Bônus)
19-Marjorie (Margarine) (Demo) (Bônus)
20-Little White Flower (Demo) (Bônus)
21-Good Morning Mr Wind (Demo) (Bônus)
22-Palais Girl (Demo) (Bônus)
23-Lord Of The Universe (Demo) (Bônus)

Download

Spooky Tooth - 1969 - Spooky Two

A banda inglesa Spooky Tooth foi formada em 1967 e se baseava em hard rock, psicodélico, progressivo e Rhythm and Blues, se distinguindo de seus contemporâneos (Traffic, por exemplo) pelo forte poder melodico de seu rock.
O segundo álbum da banda, "Spooky Two", traz um repertório um repertório de alta qualidade, como o hard rock progressivo "Evil Woman" e a bela balada hippie "I've Got Enough Heartaches", só pra citar dois generos opostos.
Apesar de ser uma banda inglesa (exceto o tecladista americano Gary Wright) de prestígio no país de origem, o sucesso comercial ocorreu mesmo nos EUA, a partir de 1969 e durante a década seguinte.
A formação variou muito nos anos setenta, porém aqui ainda é a formação inicial e clássica: Gary Wright e Mike Harrison nos vocais principais e teclados, Luther Grosvenor na gutarra, Greg Ridley no baixo e guitarra e Mike Kellie na bateria e percussão.

01-Waitin' For The Wind
02-Feelin' Bad
03-I've Got Enough Heartaches
04-Evil Woman
05-Lost In My Dream
06-That Was Only Yesterday
07-Better By You, Better Than Me
08-Hangman Hang My Shell On A Tree
09-That Was Only Yesterday (Mono - Versão lançada em single) (Bônus)
10-Oh! Pretty Woman (Mono - Single, lado B) (Bônus)
11-Waitin' For The Wind (Mono - Versão lançada em single) (Bônus)
12-Feelin' Bad (Mono - Versão lançada em single) (Bônus)

Download